Com muita frequência não me indigno o suficiente
por vezes não me indigno de todo
perante as grandes indignidades
que deveriam indignar todas as pessoas honradas
dilúvio no Sudão
a fome por todo o lado, crianças já envelhecidas
de olhos imensos, acusadores
ou a violação do Danúbio
e o velho ácer diante da janela
a morrer como um herói em terra de ninguém |
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George Tabori, nascido a 14.5.1914 em Budapeste, dirige desde 1986 a Schauspielhaus “Der Kreis” em Viena. Dos seus momentos de vida citem-se: 1923-1933 estudante e criado de limpeza de cinzeiros em Berlim; 1935 jornalista e tradutor em Budapeste; 1936 emigração para Londres; 1941-1943 Exército britânico no Próximo Oriente; 1943-1947 na BBC; 1947 mudança para os Estados Unidos (filmes, encenações teatrais, e traduções); 1971 regresso a Berlim. Na República Federal, George Tabori trabalha sobretudo como encenador (Teatro, teatro radiofónico, televisão) e escritor. Além de romances, ensaios e narrativas foram publicadas as seguintes peças em língua alemã: Die Kannibalen [Os Canibais] (1968), Pinkville (1970), Clowns (1972), Sigmunds Freude [Alegria de Sigmund] (1975), Talkshow a partir de Pearls (1976), Verwandlungen [Metamorfoses] a partir de Kafka (1977), Die Hungerkünstler a partir de Kafka (1977), Die 25. Stunde [A 25ª Hora] (1977), My mother’s Courage [A Coragem da Minha Mãe] (1979), Der Voyeur (1972), Jubiläum (1983), Peepshow (1984), M (1985), Mein Kampf (1987), Goldberg-Variationen (1981), Babylon Blues (1991).
Weisman und Rotgesicht estreou a 23 de Março de 1990 no Akademietheater de Viena com encenação de George Tabori.
TODA A MINHA VIDA TIVE MEDO DESTES ENCONTROS, MAS SEMPRE OS DESEJEI. |
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Faz-se de capas e contracantos, de cantos e contracapas.
Cantos contra a opressão, contra as horas afogadas em náusea e cantos de esperança luminosa. Capas que cantam a liberdade, enquanto há força: a identificação subliminar astutamente inserida em “Eu vou ser como a toupeira” (“pessoa que trabalha para subverter instituições, etc”.) ou a mão fraterna de um maduro Maio, aberta em arco-íris de poesia; mão-pássaro com plumagem de trovas, pomba azul de uma paz ansiada ou ainda um andarilho comboio ascendente que anseia ser nuvem.
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Sete perguntas a Fernando Mora Ramos.
Por João Luís Pereira
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José Afonso é mais que um capitão de Abril, é um libertador de consciências. A sensibilidade é, como se sabe, um território de máxima ambiguidade. No que toca à sensibilidade artística é o reino da ausência de um ponto de vista, de um posicionamento e vai a par com aquela vaga noção de que em matéria de gosto cada um tem o seu.
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