Teatro da Rainha

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A Ida ao Teatro Obrigatório

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Índice do artigo
A Ida ao Teatro Obrigatório
Karl Valentin nas Caldas
Karl Valentin
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Ida ao teatro obrigatório são duas peças de Karl Valentim reunidas num espectáculo, a Ida ao teatro e O teatro obrigatório. A brincadeira desta associação prende-se com o modo como os potenciais espectadores, protagonistas de a Ida ao Teatro, um casal com jeito para tudo complicar, se prepara desastradamente para ir ao teatro - essa coisa "chique" para a pequena-burguesia desse tempo, o tal teatro que é objecto de uma humorada reflexão crítica no célebre Teatro obrigatório, texto fundador de uma ideia de política teatral, já que nele se desenvolve a necessidade didáctica do teatro como obrigação tal como acontece com a escola. Se a escola não fosse obrigatória ninguém iria à escola, diz-se na peça.

 A estratégia de raciocínio silogístico e literal faz de Valentim o pai de um absurdo burlesco que tem mais de anarquista e vital que de existencialista, causal e aleatório, como é mais próprio de certas escolas do absurdo. Valentim, o seu burlesco anarquista é, na realidade, vitalista.

Nestas duas pequenas peças e num ambiente de "cabaret" o Teatro da Rainha pretende encontrar formas alternativas de fruição do teatro na cidade, procurando uma relação mais próxima e imediata, mais informal, com os cidadãos e a cidade.


 Desta vez não estaremos no Beco do Forno, aonde aliás regressaremos em breve, estaremos no antigo Stand de venda de automóveis da Florescar, que gentilmente o cedeu - aqui fica o agradecimento -desta feita para uma "casa de espectáculos". Nesse espaço, que transfiguraremos num refinado "cabaret político" a palavra de Valentim regressará para provocar os "estragos interiores" que um humor desordeiro e anti hierarquias sempre estimula.

Integrado no projecto de animação do centro urbano, objectivo da
iniciativa "Caldas, Comércio & Cidade" que arrancou com O Soldado Vigilante apresentado no Beco do Forno, o Teatro da Rainha, e mais uma vez, com este segundo espectáculo reitera a sua disponibilidade para, com a autarquia e a sociedade civil local, nomeadamente a Associação Comercial e os seus membros mais dinâmicos, aprofundar e democratizar as iniciativas locais de criação artística e cultural, única via de uma verdadeira expressão dos valores culturais próprios da cidade. À importação descerebrada e aleatória de bens de consumo culturais, lato senso, das lógicas do mercado, esse meio de desenvolver o consumo e todas as formas passivas de apreensão do estético mas não a leitura e menos ainda a capacidade crítica estruturada, propomos no terreno um verdadeiro crescimento cultural e artístico localmente enraizado.