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© MARGARIDA ARAÚJO

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2010
A morte do dia de hoje, de Howard Baker

A ida ao teatro obrigatório, de Karl Valentim
Dodô – No rasto do pássaro do sono, de Joseph Danan

O soldado vigilante, de Miguel Cervantes

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COMPANHIA PROFISSIONAL DE TEATRO & CENTRO FORMATIVO DE ARTES DRAMÁTICAS

Jojo, o reincidente de Joseph Danan

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Voltamos à infância para construir num acto de imaginação suportado pelas didascálias de Danan, a peça proposta são didascálias, e colocar questões tão ingénuas e decisivas como a própria liberdade de imaginar como uma qualidade específica da imaginação, do acto de imaginar. Liberdade de imaginar como qualidade da imaginação e como desafio à autoridade, neste caso a autoridade de uma mãe que surge como o regime daquela infância, um regime que assenta o seu paradigma no portar-se bem, dentro de certas regras, as de uma criança que só pode fazer as coisas que as crianças devem ou podem fazer incluindo aquelas que correspondem a um figurino de criança que os adultos convencionais têm na cabeça (...).

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Dramoletes II – Xenofobia de Thomas Bernhard

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Os dramoletes seguem a política da concisão máxima, são formas breves e nessa medida concentram também no veneno positivo que destilam em doses homeopáticas para cumprirem a finalidade que perseguem: a denúncia do reaparecimento hoje de formas de ideologia nazi. Veneno positivo como o que se aplica no caso da mordedura da serpente, isto é, um antídoto feito a partir do próprio veneno da serpente, que, de facto protege e cria imunidade ao verdadeiro veneno (...).

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Kabaret Keuner e outras histórias
de Bertold Brecht

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Assim se auto-nomeia este alter-ego de Brecht nas suas próprias histórias, ele é um contador de histórias. Mas mais que pensador, ou pensador de uma dada forma, Keuner é um perguntador que quando faz afirmações coloca outras tantas dúvidas. Ele abre deste modo brechas no cimento dos clichés assertivos do Grande Costume, como Brecht caracterizou uma vez a força inamovível das verdades inquestionáveis do sistema que o capitalismo gerou. É um pensamento do simples, do que nos sucede e do que sendo comum não é normalmente objecto de indagação e é filosófico, criando caminhos e processos de pensar pensando, na medida em que desencadeia alternativas ao que a realidade impõe como pragmatismo de um modo que parte muitas vezes da ingenuidade, da pergunta curiosa, na explicitação daquilo que no óbvio está oculto pela força da sua própria evidência.

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Um “enfarinhado” amigo da pinga tem uma mulher amiga de um fidalgo. Sente-se traído por ela e ela sente que ele, para além de querê-la em casa fechada, nada quer dela. Valério, um fidalgo de pacotilha, faz-lhe uma corte suspeita e ela sente-se cativada pelas suas boas maneiras. O marido é um bruto, nem falar sabe e está sempre bêbado. E ela tem aspirações. Um Doutor é chamado pelo enfarinhado a intervir mas este não consegue abrir a boca porque o Doutor é incontinente e está sempre em exercício falante e erudito, desenrolando o seu latinório pela língua fora sem parar. Gorgibus, pai dela, quer meter tudo em ordem mas está tão senil que chega sempre depois à questão do momento, funcionando por assim dizer, ao retardador. Desta salada entrecruzada surge um conflito que se vai sempre adensando numa confusão que só pára no final mais ou menos abrupto (...)

O ciúme do enfarinhado de Molière

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Dramoletes I – O coveiro de Thomas Bernhard

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Dramoletes 1 / Coveiro integra três dos sete dramoletes escritos por Thomas Bernhard: “Match”, “O Morto” e “Mês de Maria”.

No primeiro dramolete, a esposa de um polícia extenuado, entre a perversidade mórbida da necessidade de violência para impor tranquilidade social e o sexo a fazer, põe a nu o seu primarismo de candidata a mulher dos SS; No segundo, a visão alucinada de um morto traz à tona a actividade “normal” de uma colagem de cartazes com cruzes suásticas; No terceiro, duas beatas saídas da Igreja maldizem os turcos que se aproximam do cemitério e uma delas, excitada, promete gaseá-los. (...)

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A morte do dia de hoje de Howard Barker

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Inspirando-se no relato de Tucídides da destruição de uma expedição à Sicília em 413 a.C., quando o exército e a marinha atenienses sofreram uma derrota avassaladora, Howard Barker constrói uma ficção “catastrófica” em torno do momento em que as notícias de tal acontecimento são divulgadas: um Visitante (um sobrevivente?) faz o relato das “más notícias” ao seu Barbeiro, ansioso por saber do destino do seu próprio filho envolvido naquele episódio militar. A Morte do Dia de Hoje apresenta-se como uma poderosa reflexão dramática sobre a estranha sedução exercida pela catástrofe e a glória envolvida no seu relato: a inevitabilidade da destruição é reavaliada em termos do modo como é vista e do seu significado, subtilmente questionando o paradigma “sensacionalista” da sociedade contemporânea.

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A ida ao teatro obrigatório de Karl Valentin

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Ida ao teatro obrigatório são duas peças de Karl Valentim reunidas num espectáculo, a Ida ao teatro e O teatro obrigatório. A brincadeira desta associação prende-se com o modo como os potenciais espectadores, protagonistas de a Ida ao Teatro, um casal com jeito para tudo complicar, se prepara desastradamente para ir ao teatro - essa coisa "chique" para a pequena-burguesia desse tempo, o tal teatro que é objecto de uma humorada reflexão crítica no célebre Teatro obrigatório, texto fundador de uma ideia de política teatral, já que nele se desenvolve a necessidade didáctica do teatro como obrigação tal como acontece com a escola. Se a escola não fosse obrigatória ninguém iria à escola, diz-se na peça. (...)

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Dodô – no rasto do pássaro do sono de Joseph Danan

No rasto do pássaro do sono conta-nos a história de um rapaz que inesperadamente se vê numa aventura em busca do Dodô, o pássaro do sono. Dizem-lhe que desapareceu da face da terra. Recusando-se a acreditar, e não resistindo ao desafio de encontrar nem que seja o último, voa para a ilha de Reunião de onde dizem ser o Dodô. Aterra e por ali tudo se chama Dodô. Descobre então que o Dodô se extinguiu às mãos do Homem. Mas não desiste, continua a acreditar na sobrevivência do Dodô. Essa busca, transforma-se na aventura de conhecer-se confrontado com novas situações, de transição para outra idade e outra profundidade, um novo olhar.

O soldado vigilante
de Miguel Cervantes

Travestismo social e sexual, profusão de elementos de simbolismo sexual, inversões carnavalescas, com personagens populares espirituosas, que manifestam o seu desejo junto aos panos de um dispositivo cénico, comum aos palcos montados nas cidades visitadas pelos cómicos ambulantes que também se exibiam perante a Corte, os Entremeses escritos por Cervantes, o autor do célebre D. Quixote, e publicados em 1615, reúnem no texto seleccionado para esta representação, O Soldado Vigilante, um grupo de personagens num registo de farsa e de burlesco, a que não faltam o erotismo, os jogos sobre a identidade, os signos fálicos. Conseguirá o Soldado pícaro afastar todos os pretendentes à criada Cristina? Quem levará a melhor, o Sacristão com o seu “badalo” ou o sapateiro que a vai “calçar”?

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2011
Jojo, o reincidente, de Joseph Danan
Dramoletes 1 / O coveiro, de Thomas Berhard
O ciúme do enfarinhado, de Molière
Kabaret Keuner e outras histórias, de Bertold Brecht
Dramoletes II, Xenofobia, de Thomas Berhard

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