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© 2011  DOS RESPECTIVOS

Jojo, o reincidente

Jojo, como todas as crianças, faz o seu mundo, fabrica-o,
mais que aceitar o mundo que lhe põem à frente – às vezes
as crianças só conhecem o mundo que lhes põem à frente e não chegam a
desejar construir um seu. Ao ser servido um mundo acabado, a imaginação,
filha da ingenuidade e da atenção, da curiosidade e princípio das escritas, vai-se.
Jojo não consome, constrói e inventa outras coisas com os objectos da casa, é muito pequeno, não anda sozinho na rua. E está a crescer, a fazer-se grande. Faz da casa e em casa esse mundo que ele vê, agindo, manipulando tudo de modo artesão. Por vezes leva uma estalada da mãe: o que é isso de empilhar as cadeiras? E que é isso de um concerto musical com o desmembramento do aspirador?
Jojo é um vanguardista e faz lembrar um jovem Duchamp pois converte os objectos de uso quotidiano em acções artísticas. Será Jojo um performer, geneticamente falando?
Sai à mãe? De quem terá herdado a arte de pôr tudo de pernas para o ar? Mas de pernas para o ar não estará o mundo que nós habitamos? Como podem morrer pessoas a atravessar um mar sem que ninguém as acuda? E como podem as espécies, muitas, estar em extinção? Por exemplo os Pandas, tão simpáticos.
Pois o nosso Jojo é um reincidente e é perdido por agir, por construir ficções. Reincidente? Foi assim que o apelidou o pai dele, o nosso Danan. E para que serve isso? Para encontrar um caminho talvez, o caminho do treino, o caminho dos que não desistem, dos que reincidem. Reincidir é não desistir de voltar a experimentar: Jojo é um experimentalista. fernando mora ramos

Hesitei durante muito tempo em relação ao título. Durante bastante tempo, a peça chamou-se Tom, o reincidente. Mas senti que não era aquilo. Experimentei outros. Jim, o reincidente. Paulo, o reincidente. Com Pierrot, o reincidente, acreditei mesmo que era aquilo. Mas a valsa continuou. Jimmy. Nicolas. Lulu. Toto. Nunca era aquilo! Até que enfim se fez luz. Ia ser: Jojo, o reincidente! Vá-se lá saber porquê! Iam dizer-me mais uma vez que era uma peça autobiográfica. Ora eu sei-o bem: Jojo e eu somos dois, mesmo, se durante anos na minha família me chamassem Jojo (Até eu dizer: Stop! Porque já não aguentava mais). Eu, ao contrário do Jojo, era uma criança ajuizada, talvez demasiado ajuizada (Ai! Sinto que os meus pais dão voltas.). E a minha mãe nunca me deu a mais pequena bofetada (o meu pai também não, aliás). Ponho uma hipótese: é que as asneiras, eu não as fazia, porque era eu que dava a mim próprio a bofetada antes de as fazer – tenho a certeza que percebeste muito bem.
Agora cresci (pouco… mas agora, com cinquenta anos, já não tenho ilusões, não vou crescer mais), escrevo peças em que posso fazer tudo o que quero sem apanhar uma bofetada. E ensino teatro na universidade a grandes rapagões e grandes raparigas a quem não preciso de dar bofetadas para eles trabalharem, porque eles gostam disto!
joseph danan

FICHA ARTÍSTICA

tradução ISABEL LOPES
encenação e cenografia FERNANDO MORA RAMOSE PAULO CALATRÉ
música CARLOS ALBERTO AUGUSTO
figurinos MANUELA BRONZE
desenho de luz NUNO MEIRA
adereços ROGÉRIO GUIMARÃES

(ILUSTRAÇÃO ORIGINALMENTE CONCEBIDA PARA O LIVRO JOJO, LE RÉCIDIVISTE DE JOSEPH DANAN PUBLICADO PELAS ACTES SUD, EDITORA FRANCESA)desenho do cartaz ERIC VEILLÉ

 

INTERPRETAÇÃO
ISABEL LOPES, mãe
PAULO CALATRÉ jojo
ISABEL CARVALHO, delfina
ANTÓNIO PARRA, amigo
CARLOS BORGES, amigo

FICHA TÉCNICA
direcção de produção ANA PEREIRA
montagem CARINA GALANTE E FILIPE LOPES
operação de luz FILIPE LOPES
operação de som CARINA GALANTE
costureira MANUELA LOPES
assistente de guarda-roupa e adereços NATÁLIA FERREIRA
comunicação VERA MARQUES
design gráfico FILIPE GILL
fotografia PAULO NUNO SILVA E MARGARIDA ARAÚJO

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O melhor mesmo é ir ao site dos adultos e consultar a secção “ Acontece”. Se não estiver em lado nenhum, protestem!

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